quinta-feira, 21 de maio de 2015

O tédio de uma exposição de arte.



Toda vez que vou em uma exposição de arte com meus alunos fica nítido o tédio deles, muitas vezes aceitam ir na excursão porque ela é gratuita ou apenas por ser uma passeio que os permite sair da escola, mas por que isso acontece?

Quando estudava para fazer a postagem anterior sobre o Bouguereau, vi na página uma afirmação muito interessante de um curador do museu de Arte de Denver em 1990:

"A maioria dos nossos visitantes prontamente admite que não entende nada de arte. Assim, é-lhes apenas natural buscar obras que são belas e fáceis de entender.... Esses novatos raramente falam de Bouguereau em termos de qualidades estéticas e formais. Em vez disso, eles o usam como base para o despertar de sonhos sobre o futuro ou nostálgicas memórias do passado. Visitantes mais conhecedores logo ficam entediados".

Concordo com o fato de que hoje todos os alunos entram em uma exposição e admitem entender nada do que estão vendo, ainda mais em uma época onde a arte contemporânea é uma arte conceitual, e necessita ter uma análise muito profunda de obra e autor para compreende-la, ou seja, sem um mediador cultural, que é de extrema importância em um museu, os visitantes ficam perdidos e ele é que pode fazer a diferença na compreensão da exposição.

Como professora sou uma mediadora cultural e sempre devo questionar o aluno sobre a arte, somente assim ele compreenderá o seu conceito, ou então ele realmente só vai buscar obras que são de fácil leitura e compreensão (vide Romero Britto), mas na citação o curador eles chamam carinhosamente essa pessoa de novatas, que pouco analisam a obra tecnicamente falando e se atentam ao fantasioso. Em contra partida o autor afirma que os "conhecedores" ficam logo entediados.

É interessante a visão do curador que deprecia a obra vista pela pessoa que entende de arte, tornando-a algo quase que sem utilidade em uma exposição. Em sua época Bouguereau justamente provocava em seus admiradores essa sensação de fantasia, esse era o objetivo dele, logo os "entendedores" não entendem da obra do artista e por isso ficam entediados?



Nem sempre os entendedores entenderão.

Enfim, chegamos em uma época em que a obra de arte que facilmente comunica é uma obra menor e a obra de maior complexidade e compreensão, que só os entendedores entenderão, é a obra genial. Será que estamos indo para o caminho certo? Elitizando algo que deveria fazer parte de nossa cultura? Algo que deveria nos representar? Só o tempo dirá.

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IMAGENS
Museu Delaware - Jeffrey Boyer
Cão de guarda do museu - Bastex

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